Rádio na web  
   

A web é um campo que no Brasil possui apenas dez de existência. Foi pensando em explorar um campo novo, repleto de assuntos a serem descobertos que a jornalista e douranda em comunicação pela UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais - Nair Prata, decidiu navegar literalmente nos estudos sobre o rádio na internet. A professora explica que a escolha pelo assunto surgiu quando concluiu o mestrado.

Na dissertação, ela estudou a fidelidade do ouvinte de rádio. Até então, havia o desejo de desenvolver o tema em estudos futuros, mas como ela mesma ressalta, muita coisa já foi explorada em relação ao rádio e um aspecto que poderia levantar novas discussões e curiosidades seria a internet.

Nair Prata observou que os grandes pesquisadores do Brasil têm um olhar sobre o assunto mas que um conceito ainda não foi definido. Há muito o que ser debatido e é cedo para começar a apontar um caminho para o que vai ser do rádio.

Para começar a analisar o objeto, a professora lembra que desde sua criação por Marconi, o rádio que conhecemos é aquele por ondas, que podemos sintonizar no AM, FM, ondas curtas etc.

Com a internet, começamos a perceber que um novo conceito começa a surgir, o veículo rompe com a geografia. Através da rede, qualquer emissora pode ser ouvida em qualquer ponto com planeta.

De acordo com Nair Prata, a primeira versão de webrádio que surgiu é rádio "Tótem", na década de 90. Um outro exemplo de rádio on-line que temos é a rádio Itatiaia. Há oito anos, a emissora mantém um site e transmite em tempo real a programação.

Outras rádios utilizam a rede apenas para manter a interatividade com ouvinte. Elas não transmitem a programação e o portal que possuem é usado para receber e-mail com pedido de música, recados, entre outros contatos.

Apaixonada pela assunto, Nair Prata escreveu recentemente um artigo que fala sobre a cor no rádio. Tamanho o universo que ainda pode ser conhecido, ela se lançou a esse desafio de estudar variados signos que se configuram.

É o que alguns autores definem como covergência de mídias. Na web, o rádio tem som, mas tem texto, tem imagem.

O Destino no Veículo

Na década de 50, quando surgiu a televisão, o rádio já tinha 30 anos de existência. O que se apontava na época é que o rádio caminhava para a extinção. Afinal, a TV reunia duas qualidades: tinha som e imagem.

Entrentato, o rádio se adaptou, conquistou uma nova linguagem, difundiu sua vocação de ser emergente, de prestar serviço, de estar em qualquer lugar a qualquer hora e sobreviveu.

Hoje, novamente, a polêmica vem a tona. Se a internet reune som, imagem, texto, o que vai ser do rádio tradicional? Nair Prata não acredita no seu fim. Para ela, o veículo tem um desafio, vai ganhar uma nova configuração, mas o seu desaparecido não está sentenciado pelo desenvolvimento da internet.

O Rádio é de todos e não é de ninguém

A lei brasileira determina que só o governo pode autorizar que alguém use uma freqüência no "dial" para transmitir determinada programação. Em troca disso, o dono da emissora deve cumprir certos compromissos como transmitir o horário político, não deixar que os apresentadores falem palavrão, por exemplo, explica Nair Prata.

Na rede, outro paradigma é rompido. Ninguém precisa pedir autorização do presidente da república para usar um canal e transmitir sua programação. Qualquer pessoa, independentemente, de quem seja pode montar sua emissora do que jeito que quiser e com o perfil que desejar.



Autor: Kátia Luzia Pereira